Lisboa com Carmona propõe programa de “Bookcrossing Municipal”
Proposta n.º 991/2008
(aprovada por unanimidade)
O “Bookcrossing” é a denominação dada ao acto de deixar livros num espaço público, para que possam ser encontrados e lidos por outros. É um clube de livros global que atravessa o tempo e o espaço, tendo como objectivo transformar o mundo inteiro numa biblioteca.
A presente proposta consiste, na sua essência, em transpor o conceito “Bookcrossing” para uma escala municipal e reconstituir, adaptando à actualidade, a rede de bibliotecas ao ar livre que existiu na Cidade de Lisboa, em jardins e miradouros, entre as décadas de 30 e 60 (anexo 1);
A esta reconstituição da rede de Bibliotecas ao ar livre propomos que seja atribuída a denominação de “Bookcrossing Municipal”;
Para a implementação da “Bookcrossing Municipal”, propõe-se que:
- Seja criada uma rede de Quiosques Biblioteca, com esplanada, em vários jardins de Lisboa, a identificar, promovendo-se o gosto pela leitura, as relações de vizinhança, o convívio, a partilha e o usufruto do espaço público;
- Os livros sejam doados pelos munícipes, visitantes, instituições, associações e colectividades em qualquer um dos Quiosques Biblioteca da rede;
- Seja criado um cartão de utilizador, individual ou colectivo;
- O cartão possa ser adquirido em qualquer um dos Quiosques Biblioteca, através da doação, no mínimo, de um livro para a rede;
- Depois de registados os utilizadores possam requisitar os livros disponíveis na Biblioteca, usufruindo do espaço envolvente ou simplesmente levar para casa;
- A entrega do livro, após a leitura ou de outros que o leitor queira doar para a rede, possa ser efectuada em qualquer um dos Quiosques Biblioteca;
- Seja a Câmara Municipal de Lisboa a disponibilizar e instalar os quiosques;
- Seja a Câmara Municipal de Lisboa a gerir a rede, que funcionará dentro de um determinado horário;
- Nos quiosques esteja um funcionário ou um voluntário nomeado pela Câmara que permaneça encarregue, durante o seu turno, de zelar pelo mesmo e garantir os serviços à disposição;
- Seja possível criar condições para a realização de iniciativas complementares e de dinamização do espaço onde se encontra instalada a Biblioteca, como por exemplo:
Periódicas ou Esporádicas:
- Realizar várias animações do livro, nomeadamente através da leitura, em voz alta, feita por um escritor convidado;
- Jogos tradicionais;
- Teatros infantis;
- Prática de exercício físico;
- Ateliers de conservação e restauro de livros, de pintura e escultura;
Permanentes: Colocar ao alcance de todos, o acesso livre e gratuito à Internet com recurso à tecnologia wireless, dando continuidade ao projecto denominado “Jardins Digitais” que terminou em Junho de 2007;
- Cada espaço tenha uma filosofia individualizada no que respeita à oferta de iniciativas complementares, que devem ser proporcionadas de acordo com os potenciais utentes e adequadas às características locais, em articulação estreita com as Juntas de Freguesia;
- Este intercâmbio cultural promovido pela rede possa estar disponível durante todo o ano.
Além disso e ainda,
Considerando que:
- Face às mudanças impostas pela alteração de hábitos e estilos de vida, as relações de vizinhança vão sendo cada vez mais diminutas, cabe aos gestores e políticos desta Cidade tentar contrariar esta realidade dando condições e incentivos que fomentem as relações sociais e o uso do espaço público da Cidade;
- Os jardins de Lisboa pelas suas características são os locais perfeitos e convidativos para proporcionar um momento de leitura, de convívio e lazer;
- Conjugado com o arvoredo, o relvado, o lago, o parque infantil, este equipamento/serviço a instalar, em Jardins de Lisboa, trará, certamente, uma nova dinâmica local;
- Já existe um Quiosque Biblioteca tipo, em funcionamento no Jardim da Estrela (anexo 2) que poderá ser adequado à filosofia que agora se propõe;
- Poderão ser aproveitados e readaptados os quiosques desactivados existentes;
- Esta proposta permite dinamizar e reforçar a importância da leitura, colocando o livro como um importante símbolo cultural aos olhos do público e, simultaneamente, promover o contacto entre as pessoas e o desfrutar do espaço envolvente, o jardim;
- Os objectivos do Plano Nacional de Leitura visam “elevar os níveis de literacia dos portugueses e colocar o país a par dos nossos parceiros europeus”;
- Através da Proposta nº 411/2006, a Câmara Municipal de Lisboa fez aprovar o projecto-piloto “Jardins Digitais”, para o qual estabeleceu um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e os operadores Broadnet, Zapp e PT Wi-Fi de acesso livre e gratuito à Internet, com recurso à tecnologia wireless (sem fios), nos Jardins de Lisboa;
- Os “Jardins Digitais”, foi um projecto de êxito, sem custos de implementação ou manutenção para a Câmara Municipal de Lisboa e que terminou no dia 30 de Junho de 2007;
- Se poderá dar continuidade a esse projecto, como serviço público, estimulando o uso das novas tecnologias e apostando na dinamização dos jardins e espaços públicos da cidade de Lisboa,
Temos a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa delibere,
Ao abrigo do disposto no artigo 6º, da Lei nº 24/98, de 26 de Maio, e do artigo 64º, nº 7, alínea d), da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, na redacção que lhe foi dada pela Lei nº 5-A/2002, de 11 de Janeiro:
1. Que a partir das condições supra mencionadas, sejam estudados os mecanismos necessários e adequados à implementação da rede “Bookcrossing Municipal”;
2. Que seja restabelecido o projecto “Jardins Digitais”.
Lisboa, 14 de Outubro de 2008.
Os Vereadores
António Carmona Rodrigues
Pedro Feist
José Ramos Ascensão